Mundo Militar
Coreia do Norte inaugura nova era naval com a incorporação do destróier Choe Hyon
Por João Victor Castro, Forças Globais - 25 de Junho de 2026
A Coreia do Norte marcou um ponto de inflexão em sua estratégia militar com a incorporação oficial do destróier Choe Hyon à Marinha Popular da Coreia. A cerimônia de comissionamento, realizada em 23 de junho de 2026 no porto de Nampo, na costa oeste do país, contou com a presença do líder Kim Jong-un e sinaliza a transição de uma força historicamente focada em operações costeiras para uma marinha com ambições de projeção de poder em alto-mar .
Com um deslocamento estimado em 5.000 toneladas, o Choe Hyon (identificado pelo numeral 51) é o maior navio de guerra já construído pela indústria naval norte-coreana. O evento não apenas celebra um feito de engenharia local, mas também materializa a diretriz de Pyongyang para a "nuclearização" de sua frota, integrando meios navais à estratégia de dissuasão nuclear do regime.

Um salto tecnológico e de poder de fogo
O Choe Hyon é classificado como um destróier multipropósito de mísseis guiados, projetado para executar missões complexas que incluem defesa aérea, guerra antissubmarino, ataque antinavio e bombardeio de alvos terrestres. O design da embarcação apresenta linhas modernas que, segundo analistas, remetem à estética de navios de guerra russos e chineses contemporâneos.
O poder de fogo do novo destróier é o aspecto que mais chama a atenção de especialistas em defesa. A embarcação está equipada com um robusto Sistema de Lançamento Vertical (VLS), com estimativas variando entre 74 e 88 células, capazes de disparar mísseis de cruzeiro de longo alcance e mísseis de defesa aérea. Além disso, o navio conta com lançadores quádruplos para mísseis antinavio e tubos de torpedo de 533 mm, totalizando uma capacidade teórica de carregar mais de 100 mísseis de diferentes tipos.
Especificações Técnicas Estimadas | Detalhes |
|---|---|
Classe | Choe Hyon (Primeiro da classe) |
Deslocamento | ~5.000 toneladas |
Armamento Principal | VLS (74 a 88 células), Mísseis Antinavio (4x4), Torpedos (2x2 533mm) |
Sensores | Radar de busca (possivelmente phased array), Sonar de casco |
Defesa de Ponto | Sistemas CIWS integrados com radar de rastreamento |
Aviação | Plataforma de pouso na popa (sem hangar confirmado) |
Apesar do impressionante arsenal, a ausência de um hangar para helicópteros na popa é vista como uma limitação significativa para operações prolongadas de guerra antissubmarino e busca e salvamento.
Ambições navais e desafios industriais
Durante a cerimônia em Nampo, Kim Jong-un delineou metas ambiciosas para a indústria de defesa do país. O líder norte-coreano estabeleceu o objetivo de construir dois navios de guerra de 5.000 toneladas por ano ao longo dos próximos cinco anos. Além disso, mencionou planos para o desenvolvimento de plataformas ainda maiores, na faixa de 10.000 toneladas, descritas como embarcações "estratégicas".
A execução desse programa, contudo, enfrenta obstáculos consideráveis. A construção da segunda unidade da classe, batizada de Kang Kon, foi marcada por um grave acidente durante o seu lançamento em Chongjin, quando a embarcação adernou e sofreu danos estruturais. Imagens de satélite recentes indicam que o navio foi recuperado e transferido para o estaleiro de Najin, onde passa por reparos e testes.
Este incidente evidencia os riscos e as limitações técnicas enfrentadas por Pyongyang ao tentar acelerar a produção de navios de grande porte, especialmente sob o peso de sanções internacionais severas.
Implicações geopolíticas e suspeitas de apoio externo
A entrada em serviço do Choe Hyon ocorre em um cenário de elevada tensão na Península Coreana e no Indo-Pacífico. Para Seul, Tóquio e Washington, a capacidade da Coreia do Norte de operar navios de superfície armados com mísseis de cruzeiro com capacidade nuclear adiciona uma nova e preocupante dimensão à ameaça regional .
Especialistas ocidentais e autoridades sul-coreanas observam com cautela a velocidade do avanço naval norte-coreano. Há fortes suspeitas de que Pyongyang tenha recebido assistência técnica externa, notadamente da Rússia, em áreas críticas como design naval, integração de sensores e tecnologia de mísseis. A recente aproximação diplomática e militar entre Moscou e Pyongyang reforça essas hipóteses, embora não haja confirmação oficial de transferência direta de tecnologia para o projeto do Choe Hyon .
Embora a sobrevivência do destróier em um conflito de alta intensidade contra as marinhas tecnologicamente superiores dos Estados Unidos e de seus aliados seja questionável, o valor político e estratégico da embarcação é inegável. O Choe Hyon serve como uma poderosa ferramenta de propaganda interna e envia uma mensagem clara aos adversários: a Coreia do Norte está determinada a projetar sua força de dissuasão muito além de suas águas costeiras.
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